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23 de dezembro de 2011

[COSME REVELA] O verdadeiro Neymar fora de campo

A pergunta que mais ouvi quando voltei do Japão foi direta.
 
'Como é o Neymar?'

As pessoas da mais variadas classes sociais querem saber sobre a personalidade do melhor jogador do Brasil.

Não em campo, mas fora dele.

E não tenho boas notícias.

O meu primeiro contato com ele foi há quatro anos na TV Bandeirantes.

Participamos de um programa juntos.

Estava acompanhado por sua família e o seu empresário Wagner Ribeiro.

Tinha 15 anos.

Menino alegre, mas de personalidade firme.

Retraído, deixava seu pai e, principalmente Ribeiro, o trato com os jornalistas.

Estava nítido que os dois já tinham como meta moldar a imagem do garoto de 15 anos.

Desde então, nos afastamos.

E pude acompanhar maravilhado tudo o que Neymar fazia em campo.

Jogadas espetaculares.

Falei com Dorival Júnior e ele o considerava o mais talentoso prodígio que caiu nas suas mãos.

E o tratava como um filho.

Conversei com dirigentes, assessores.

Estavam entusiasmados com seu talento.

Estranhava porque não queriam entrar a fundo sobre sua personalidade.

Fui entender depois.

Jornalistas que frequentam o dia-a-dia da Vila Belmiro me diziam sobre a influência de Robinho.

O jogador nunca foi um exemplo de simpatia ou cordialidade fora do campo.

Mas acabou sendo a principal referência.

Justo na transição no início da carreira de Neymar como titular do Santos.

Aos poucos surgiram as primeiras indisciplinas.

A maior foi ter chegado de madrugada na concentração santista.

Ele, Ganso, André e Madson, às três horas da manhã.

A diretoria deu guarida às três promessas e colocou toda a culpa em Madson.

Era mais fácil.

Ele acabou banido da Vila Belmiro.

Era maio do ano passado, e muitos clamavam por Neymar e Ganso na Seleção.

Foi uma grande decepção.

Maior ainda viria em setembro.

Depois de ser acusado por marcadores de os xingar e esnobar seu alto salário...

Veio o jogo contra o Atlético Goianiense.

Dorival não deixou que cobrasse um pênalti.

Foi o que bastou.

De tanto ouvir sim, Neymar não suportou um não.

E fez um escândalo impressionante.
A diretoria santista lhe deu toda a razão e demitiu Dorival.

Absurda atitude protecionista.

"Estamos criando um monstro no futebol brasileiro", resumiu René Simões.

Adilson Batista assumiu o Santos e cometeu o pecado de fazer Neymar marcar.

Correr atrás de volantes adversários.

Os péssimos resultados não pesaram tanto quanto mexer com Neymar.

A demissão foi dada com gosto.

A esta altura, os representantes do Real Madrid e do Barcelona já duelavam por ele.

Até porque o jovem atacante havia avisado que no Chelsea não jogaria de jeito nenhum.

Não queria saber do truculento futebol inglês.

Conselho de Robinho.

A evolução dos seus salários é espantosa e mexeria com a cabeça de qualquer pessoa.

Como não se sentir um enviado dos Céus?

Com 15 anos, ganhava R$ 48 mil.

Aos 16, nada menos do que R$ 80 mil.

Já com 17, R$ 135 mil.

Aos 18, R$ 500 mil.

E agora, aos 19, R$ 3 milhões.

São nove patrocinadores e mais três na fila para 2012.

O governo federal o quer como garoto propaganda para a Copa do Mundo de 2014.

A idéia é da própria Dilma.

Ela quer o sorriso forçado de Neymar.

Espera diminuir a rejeição e a marca da corrupção da competição.

Mulheres não saem dos pés do jogador.

Onde vai é tratado como um Beatle.

Mesmo vestido como um pagodeiro.

Neymar teve, porém, muita dignidade ao assumir um inesperado filho.

O plano de carreira traçado por Luís Álvaro deu certo.

Neymar é conhecido no mundo todo.

Pude constatar a sua idolatra.

Milhares de japoneses compraram uma peruca imitando imitando o corte moicano.

E foram com ela orgulhosos para o Yokohama Stadium para a final contra o Barcelona.

Nem o vexame do 4 a 0 fez com que os dirigentes do time catalão desistisse de contratá-lo.

Pelo contrário.

Estão se aproximando para levá-lo para lá.

E ele quer ir.

Outro conselho de Robinho.

O ídolo do jogador acredita ter sido 'queimado' no Real Madrid.

Mas tenho de voltar à pergunta que tenho respondido sobre Neymar.

No Japão tive contato com a estratégia santista para criar a imagem do jogador.

Ele tem gerente de carreira, gerente de marketing, assessor especial que fala quatro línguas...

Estilista, fonoaudióloga e os conselhos de Ronaldo na 9ine.

Tudo isso só para que mostre ao mundo ser especial também fora do campo.

Mas não foi o que eu vi.

Estava acompanhado do repórter Samir Carvalho.

Chegávamos na concentração santista em Yokohama.

Quando demos de cara com Neymar e Elano saindo do hotel Bay Sheraton.

Ele não nos viu.

Sem segurança, queriam ir a um shopping.

Fãs japoneses o cercaram e imploraram por autógrafos e fotografias.

Principalmente de Neymar.

Ele ficou transtornado.

Gritou, afastou uma fã mais insistente.

Tentou andar, até que se cansou.

E gritou a plenos pulmões "Puta que o pariu" e voltou para o hotel.

Os japoneses ficaram atônicos.

Não pelo palavrão, que não entenderam.

Mas pela atitude grosseira.

Toda a desventura foi capturada, filmada pelo celular de Samir.

A cena é deprimente.

Mas inexplicavelmente acabou cortada.

O palavrão sumiu.

Ótimo para quem não viu e ainda idolatra o atacante.

Preserva o riquíssimo mercado oriental.

Pensei na hora em todo o cuidado da assessoria do clube.

Imaginei a frustração que seria essa cena divulgada em todo mundo.

Dezenas de cds com os gols do jogador foram distribuídos a jornalistas do mundo todo.

Tive acesso a um.

Nele está a foto de Neymar autografada.

Ao lado do autógrafo está escrito Jesus Cristo.

Neymar frequenta igrejas evangélicas e contribui para instituições de caridade.

Não combina.

Do lado jornalístico, outra decepção.

Infelizmente, percebi que ele faz como Ronaldo fazia.

Procura o microfone da TV Globo para dar sua melhor declaração.

Não importa o repórter, ele vai atrás do logotipo.

Com os demais veículos de comunicação, ele é outro.

E ontem na Bahia, outra vez, Neymar foi ríspido, irritadiço com os repórteres.

Como se não soubesse que sua atitude ficasse apenas em Salvador.

O Brasil inteiro soube de mais um ataque de estrelismo.

Depois, o pior.

A acusação de que recebeu R$ 200 mil pelo jogo beneficente na Bahia.

É o fim...

Quanto à resposta que as pessoas mais próximas me cobram, sou sincero.

Brincava no blog, ironizando o assédio e a atitude que considerava falsa, artificial.

O tratava por Justin Bieber do Suarão.

Mas depois do que vi no Japão, não há o que brincar com Neymar.


Ele é o mais talentoso jogador do País.

Será um dos maiores do mundo.

É um privilégio vê-lo com a bola nos pés.

Mas, infelizmente, nunca vi jogador mais arrogante, temperamental.

Tenho 25 anos de carreira.

Seis anos a mais do que ele tem de vida.

Não esquecerei jamais a frustração dos torcedores japoneses.

Quando Neymar pensou que não tivesse câmera ou jornalista nenhum por perto.

Por isso, o melhor para o torcedor é ter na mente suas jogadas maravilhosas.

Os dribles sensacionais, empolgantes.

Porque nem mesmo o exército que tem para moldar sua imagem é capaz de milagres.

Fora de campo, Neymar é o mais decepcionante dos jogadores...

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